O assunto que trazemos hoje ao blogue é sobre os impactos que as mudanças climáticas têm nas migrações de espécies marinhas.
Para
começar, migração ocorre quando uma população de seres vivos se desloca de um
biótopo para o outro, normalmente em busca de melhores condições para viver,
seja por razões alimentares, de temperatura ou para fugir a predadores.
Pegando
no caso particular das tartarugas marinhas, um ser vivo em que a maioria das
espécies são migratórias, têm uma distribuição vasta ocupando tanto
ecossistemas terrestres como ecossistemas marinhos. Como um grupo, são boas
indicadoras de efeitos de alterações climáticas nas zonas costeiras e marinhas.
Pertencem à ordem Testudinata e das sete espécies
existentes, seis pertencem à família Cheloniidae:
·
Tartaruga-verde (Chelonia mydas);
·
Tartaruga-comum (Caretta caretta);
·
Tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii);
·
Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea);
·
Tartaruga-de-pente
(Eretmochelys imbricata);
·
Tartaruga
marinha australiana (Natator depressus)
e uma à família Dermochelyidae:
·
Tartaruga-de-couro
(Dermochelys coriacea).
São animais extremamente sensíveis a
pressões ambientais, todas as espécies se encontram ameaçadas a diferentes
níveis, desde vulnerável (D. coriacea, L.
olivacea, C. caretta), passando por ameaçada (C. mydas) a perigo critico (L.
kempii, E. imbricata). Relativamente a N.
depressus não existe informação suficiente.
![]() |
| Imagem esquemática da migração das tartarugas |
Efeitos
directos e impactos do aumento de temperatura
As tartarugas marinhas, em comum com
muitos outros répteis mostram uma dependência total da temperatura para a
determinação do sexo. À temperatura ideal o rácio entre os sexos é 50:50, a
temperaturas mais elevadas as fêmeas predominam e vice-versa. Temperaturas quentes
poderão levar à produção de crias do sexo feminino e, consequentemente à sua
extinção.
A
temperatura influência o tamanho das crias, temperaturas mais elevadas dão origem a crias
mais pequenas. Este facto influência as hipóteses de sobrevivência das mesmas.
Para além de nascerem mais fêmeas, também nascem mais pequenas o que compromete
a sua capacidade de escavar, rastejar e nadar.
![]() |
| Fibropapilomas em tartarugas |
Supõe-se que os fibropapilomas crescem mais rapidamente em águas mais quentes, o que poderá provocar o aumento da incidência de fibropapilomas em C. mydas.
Impactos directos do aumento do nível do mar
O aumento do nível do mar deverá
afectar directamente as tartarugas pois perderão praias onde efectuam a postura
dos ovos. Com um aumento previsto de 0,5
metros, vários modelos indicam a perda de 32% das praias de postura.
A construção de barreiras para
impedir o avanço do mar afectará as praias e poderá afectar as rotas
migratórias das tartarugas-marinhas.
Mudanças
nas correntes oceânicas:
As
correntes e as frentes oceânicas são importantes para a migração e alimentação
das tartarugas marinhas. Qualquer mudança nas correntes dos oceanos resultante
de alterações climáticas tem implicações sérias na migração e alimentação das
mesmas, o que poderá resultar em alterações na distribuição e abundância das
diversas espécies de tartarugas marinhas. Espécies diferentes habitam zonas
diferentes, por exemplo, a tartaruga-comum prefere regiões do oceano com
temperaturas entre 15°C -25°C, já as tartarugas-oliva preferem águas mais
quentes, com temperaturas entre 23°C -28°C.
As
diferentes zonas do oceano habitadas pelas tartarugas marinhas estão associadas
a correntes que transportam águas ricas em nutrientes, atraindo muitos
predadores. Ora, qualquer alteração no regime destas correntes vai causar
mudanças na distribuição e disponibilidade de alimento, e como tal, isto poderá
alterar as rotas migratórias das espécies que dependem desse alimento.
Alterações
na frequência de tempestades, velocidade do vento e condições das marés/ondas:
O
aumento da frequência das tempestades, da velocidade do vento e das condições do
mar irão conduzir a um aumento da erosão costeira e, consequentemente provocar
danos nos ecossistemas costeiros. A deposição de ovos pelas tartarugas-marinhas
é posta em causa quando existem alterações nas condições do mar e na frequência
da ocorrência de tempestades.
Os potenciais
efeitos das alterações climáticas nas tartarugas-marinhas:
·
Perdas de praias de desova;
·
Redução dos intervalos de desova;
·
Redução do tempo de permanência nos sítios
de desova;
·
Mudanças na migração, abundância e
disponibilidade de presas;
·
Rácio entre machos e fêmeas
Adaptação:
implicações das alterações climáticas na gestão e conservação das tartarugas
marinhas
As
medidas de protecção das tartarugas marinhas incluem a protecção das correntes,
das praias de desova e minimização da degradação dos habitats induzida pelas
actividades humanas. A natureza desta degradação e o impacto nas comunidades de
tartarugas marinhas poderão mudar com as alterações climáticos e, por isso, as
políticas de conservação e gestão precisam de ser flexíveis de forma a
adaptarem-se a estas mudanças. Todas as ameaças a reduzir (captura dos ovos,
poluição, tráfego marítimo, pescam etc.) necessitam de ser direccionadas tanto a
nível global como a nível local.




Sem comentários:
Enviar um comentário